Projeto Biodiverso mostra como conservação da floresta pode caminhar junto com geração de renda

Projeto já envolveu 696 extrativistas e apoia cadeias produtivas sustentáveis em uma área de 1,47 milhão de hectares no noroeste de Mato Grosso.

Às vésperas do Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, resultados  alcançados no noroeste de Mato Grosso mostram como a conservação da floresta  pode estar associada à geração de renda e ao fortalecimento das comunidades  que vivem nesses territórios. Por meio do Projeto Biodiverso, 696 extrativistas  indígenas e de comunidades tradicionais já estiveram envolvidos em ações de  produção sustentável, que somam mais de 400 toneladas de produtos de cadeias  apoiadas pelo projeto. 

As ações acontecem em Terras Indígenas e na Reserva Extrativista Guariba Roosevelt, em uma área de 1.474.609 hectares. Castanha-do-brasil, borracha  nativa e açaí estão entre as cadeias trabalhadas, com iniciativas que envolvem  assistência técnica, organização da produção, infraestrutura, acesso a mercados  e fortalecimento das organizações comunitárias. 

“Quando falamos em conservar a Amazônia, precisamos olhar para quem  vive nela. Povos indígenas e comunidades tradicionais têm conhecimentos e  formas de relação com a floresta construídos ao longo de gerações. O papel do  projeto é fortalecer essas comunidades e ampliar as condições para que  conservação, autonomia e geração de renda caminhem juntas.” (Sávio Gomes,  coordenador do Projeto Biodiverso) 

O acompanhamento técnico é uma das frentes que sustentam esse  trabalho. Até maio de 2026, foram realizadas 256 visitas e atendimentos de  assistência técnica. O projeto também contabiliza 10 barracões e entrepostos  construídos ou reformados e 50 mesas de seleção e secagem construídas,  reformadas ou adaptadas, estruturas que apoiam etapas de seleção, secagem,  armazenamento e organização da produção nos territórios. 

Floresta em pé também gera renda 

A atuação do Biodiverso parte da compreensão de que conservar a  Amazônia também passa pela criação de condições para que as populações que  vivem nos territórios possam gerar renda de forma sustentável. O fortalecimento  das cadeias da sociobiodiversidade busca ampliar oportunidades de 

comercialização, qualificar processos produtivos e valorizar conhecimentos e  práticas associados à floresta. 

Esse potencial econômico também aparece em escala nacional. Dados da  Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE, mostram que os  produtos não madeireiros da extração vegetal alcançaram cerca de R$ 2,4 bilhões  em valor de produção no Brasil em 2024. Açaí, castanha-do-brasil e borracha estão  entre os produtos acompanhados pela pesquisa e também fazem parte das  cadeias trabalhadas pelo Biodiverso. 

Nos territórios do projeto, o fortalecimento dessas atividades passa ainda  pelas organizações locais. A consolidação mais recente registra 14 organizações  comunitárias apoiadas ou capacitadas para fortalecer cadeias produtivas  sustentáveis. 

Conservação feita com pessoas 

Os resultados produtivos fazem parte de uma estratégia mais ampla de  atuação. Além das atividades relacionadas à geração de renda, o Biodiverso  desenvolve iniciativas de educação ambiental, fortalecimento comunitário,  participação de mulheres, comunicação socioambiental e apoio à autonomia dos  povos e comunidades. 

Na educação ambiental, foram realizadas 69 oficinas, palestras e vivências  socioambientais. As atividades alcançaram 1.122 alunos e professores dentro dos  territórios, além de 1.701 alunos e professores nas zonas de amortecimento e 293  comunitários. 

O trabalho também busca ampliar a participação das novas gerações nas  discussões sobre a Amazônia. A formação em comunicação socioambiental já  envolveu 36 jovens indígenas e ribeirinhos e resultou em 43 conteúdos produzidos,  estimulando narrativas sobre os territórios a partir do olhar de quem vive neles. 

O Projeto Biodiverso é realizado pela Associação Pacto das Águas e  patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. 

Fonte: Assessoria de Comunicação 

Nota de dados: Dado econômico nacional: IBGE – PEVS 2024.