Projeto Biodiverso capacita mulheres indígenas para fortalecer produção e comercialização do artesanato.

Ações realizadas com artesãs Rikbaktsa e Cinta Larga unem gestão, precificação, acesso a mercados e intercâmbio de conhecimentos tradicionais.

O Projeto Biodiverso realizou uma série de ações de capacitação e  assessoria técnica voltadas ao fortalecimento da produção e da comercialização  do artesanato indígena nos territórios atendidos pelo projeto. Entre fevereiro e maio  de 2026, as atividades envolveram diretamente 67 mulheres indígenas, organizadas  em 26 grupos produtivos, com foco na ampliação da autonomia econômica e no  fortalecimento da gestão das iniciativas conduzidas pelas próprias mulheres. 

Uma das principais atividades foi a Oficina de Precificação e Gestão do  Artesanato Indígena, realizada com mulheres dos povos Rikbaktsa e Cinta Larga. A  formação abordou temas como análise de mercado, perfil dos consumidores,  custos de produção, valorização da mão de obra, formação de preços,  planejamento financeiro, divulgação dos produtos, participação em feiras e  estratégias de comercialização. O trabalho também buscou mostrar como ampliar  o acesso ao mercado sem descaracterizar os elementos culturais que dão  identidade ao artesanato indígena. 

As etapas presenciais chegaram a 36 mulheres Rikbaktsa, na Terra Indígena  Japuíra, comunidade Pé de Mutum, e 31 mulheres Cinta Larga, na Terra Indígena  Aripuanã, comunidade Paralelo 10. Durante as oficinas, as participantes  trabalharam de forma prática a organização financeira e produtiva, a gestão coletiva  e possibilidades de comercialização conjunta. 

Além da formação em gestão, o Biodiverso promoveu um intercâmbio entre  artesãs dos dois povos. Realizada em maio, na Terra Indígena Aripuanã, a atividade  reuniu 20 mulheres e contou com três artesãs Rikbaktsa compartilhando com as  mulheres Cinta Larga técnicas e experiências utilizadas em seu território. Entre as  práticas apresentadas esteve o uso da mini retífica para perfuração das sementes  empregadas na produção de colares, pulseiras, brincos e outros artefatos. A  ferramenta pode reduzir o esforço físico e o tempo dedicado a essa etapa da  produção. 

A troca de experiências também fortaleceu a circulação dos conhecimentos  entre as próprias mulheres indígenas. Ao combinar técnicas produtivas,  ferramentas e saberes tradicionais, as atividades buscaram contribuir para uma  produção mais estruturada sem perder a autenticidade cultural do artesanato 

desenvolvido nos territórios. O relatório destaca ainda a troca de conhecimentos  entre diferentes gerações como parte do processo de valorização e transmissão  desses saberes. 

O trabalho desenvolvido pelo Biodiverso vai além das oficinas de produção  e comercialização. No período, também foram realizadas ações de levantamento e  catalogação da produção artesanal, construção de identidades visuais para  associações e produtos da sociobiodiversidade e orientações sobre acesso ao  Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), emissão de notas fiscais e  elaboração de documentos institucionais. As iniciativas buscam ampliar o acesso  das mulheres a políticas públicas, mercados formais e instrumentos de gestão de  suas organizações. 

Desde o início do projeto, 153 mulheres já participaram de processos de  capacitação, assessoria técnica e fortalecimento produtivo. Atualmente, 296  mulheres estão cadastradas e são acompanhadas pelo projeto em 37 territórios de  abrangência, demonstrando a continuidade de uma estratégia que associa geração  de renda, fortalecimento das organizações comunitárias e valorização dos  produtos da sociobiodiversidade. 

Ao investir na qualificação da produção, na organização comunitária e na  ampliação das possibilidades de comercialização, Biodiverso contribui para  fortalecer a autonomia econômica das mulheres e valorizar atividades que mantêm  vivos conhecimentos tradicionais associados aos territórios e à  sociobiodiversidade amazônica. 

O Projeto Biodiverso é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa  Petrobras Socioambiental. 

Fonte: Assessoria de Comunicação